O que esperar de 2018?

14 de maio de 2018 Sem categoria 0 Comentários

O ano de 2017 encerrou com diversos fatos que influenciarão o ano de 2018.  Dentre as novidades que o ano passado trouxe, inevitável não se falar em tecnologia. Estamos entrando de cabeça na sociedade 4.0, o que cria novos padrões de conduta, negócios e relacionamentos.

 

Acontecimentos de 2017

Alguns dos principais acontecimentos em anos anteriores que foram reforçados em 2017 e outros que de fato ocorreram no último ano, em termos de tecnologia, foram:

 

Valorização das criptomoedas

Em 1º de janeiro de 2017, o Bitcoin era negociado a um preço de aproximadamente USD 1.000 e R$ 3.000. Ao longo do ano, a moeda passou a ser notada pelo público em geral e passou a ter mais adeptos. Não à toa, os recordes de preço da moeda tornaram-se manchete, os governos passaram a verificar formas de regular esse mercado, agentes do mercado norte-americano passaram a negociar contratos futuros da moeda e muitos passaram a discutir se isso seria o alarme de uma nova bolha financeira.

 

Pelo fato do preço do bitcoin ter subido tanto ao longo do ano e por conta do medo de perda de oportunidade, outras moedas também passaram a virar notícia. Diversas pessoas passaram a investir também nas moedas virtuais menores, as altcoins, que acabaram ganhando cada vez mais espaço.

 

Não só as criptomoedas ficaram em evidência, mas também a tecnologia por trás delas, a blockchain. Diversos bancos e governos passaram a criar times para estudar a tecnologia e adotá-la em suas organizações por conta da segurança que o sistema parece oferecer.

 

Aproveitando a súbita valorização, criminosos passaram a buscar resgates em criptomoedas por dados de usuários, obtidos por meio de malwares conhecidos como ransomwares.

 

Mobilidade urbana

Após as últimas crises no setor, diversas montadoras tradicionais notaram que deveriam se atualizar diante do cenário atual da economia mundial. A Volkswagen investiu na Gett, uma companhia de tecnologia israelense focada em mobilidade urbana. A GM e a Ford anunciaram que não vão mais focar sua estratégia no aumento de venda de veículos para usuários finais, mas que se tornariam empresas de mobilidade. Como parte da estratégia, ambas investiram na Lyft, uma empresa de tecnologia norte-americana focada em mobilidade urbana. Ao mesmo tempo, a GM adquiriu a Cruise Automation e pretende iniciar a produção de seus carros autônomos, ao mesmo tempo em que UBER (que criou parceria com a montadora Volvo), Tesla e Alphabet (holding que detém o controle da Google e é dona da Waymo) já testam veículos autônomos nas ruas do continente norte-americano. A Fiat Chrysler também criou uma parceria com a Waymo. Do outro lado do mundo, a Baidu, empresa de tecnologia chinesa, também já testa veículos autônomos nas estradas.

 

Ao mesmo tempo, Dubai anunciou que deseja ter uma significativa frota de carros autônomos e a Domino’s entregou sua primeira pizza com um carro não pilotado por humanos. Não suficiente, a polícia de Dubai anunciou a compra de sua primeira frota de drones pilotada por humanos, ao invés dos tradicionais supercarros e motocicletas.

 

Além de carros autônomos, os próprios motoristas ficaram dependentes de tecnologia. Assim, durante o ano de 2017, ao invés das tradicionais manchetes anunciando que o GPS levou pessoas a entrarem em favelas ou caírem em lagos, São Paulo vivenciou um dia em que uma falha no algoritmo do Waze parece ter causado um congestionamento incomum na cidade. Na mesma cidade, também cresceram as iniciativas focadas realmente no compartilhamento de carros (como a Turbi), compartilhamento de veículos elétricos (como a Urbano) ou meios de locomoção alternativos (como a Bikxi). Aparentemente, o país ainda aguarda a evolução dos projetos de carros autônomos.

 

Residências e Mercado imobiliário

Serviços como automação de residências e prédios já são tendência há algum tempo, mas ainda apresentam preços muito altos para a maioria da população. Apesar disso, surgem cada vez mais eletrodomésticos capazes de se conectar com a internet, exemplares de um segmento crescente denominado de internet das coisas (internet of things – IoT).

 

A força adquirida por empresas como o Airbnb levaram reguladores a proibir ou limitar a oferta desse tipo de serviço em algumas localidades. Isso porque, em alguns mercados, considera-se que a oferta do estoque de imóvel ocioso para o aluguel de temporada acaba retirando a oferta de residências para a locação de moradias. Essa migração do estoque imobiliário, teoricamente, faz com que os preços dos alugueis suba, já que há um custo de oportunidade em não disponibilizar o imóvel para um aluguel de temporada que, historicamente, é disponibilizado a valores mais altos. Dessa maneira, além da preocupação com a indústria hoteleira, os serviços de hospedagem passaram a representar uma preocupação também para os grupos que defendem a moradia.

 

Ao mesmo tempo em que serviços de hospedagem afetaram o mercado de locação, outros serviços que disponibilizam ou facilitam o acesso e a procura ao estoque de imóveis disponível para locação, como Quinto Andar, Viva Real, dentre outros, facilitaram a busca por imóveis para aqueles jovens que ainda não possuem dinheiro suficiente ou não desejam adquirir imóveis.

 

Por outro lado, as lajes corporativas foram dominadas por um novo gigante: a WeWork. O setor já conta com a expansão de um número significativo de coworkings e a vinda da rede para o Brasil apenas confirmou esse movimento.

 

Regulação da economia digital

Diante das mudanças ocorridas nos últimos anos e, aparentemente, impulsionadas durante o ano de 2017, diversos reguladores passaram a olhar para os negócios surgidos na economia digital. No Brasil, por exemplo, diferentemente dos anos anteriores em que o foco eram os marketplaces (e-commerce ou plataformas que realizam a intermediação entre compradores e vendedores ou prestadores e tomadores de serviço), a atenção voltou-se para o mercado como um todo. Assim, no início do ano o Congresso Nacional lançou a Frente Parlamentar de Economia Digital e Economia Colaborativa para o avanço da pauta da digitalização da economia no país. Como resultado, o ano de 2017 terminou com uma discussão sobre um parecer em um projeto de lei que pretendia banir o uso de criptomoedas no país como meio de pagamento.

 

Parte das discussões focou no surgimento de novas relações de trabalho: a gig economy. Assim, ao invés de manterem trabalhos fixos ou para complementar a renda familiar, pessoas passaram a adotar cada vez mais os aplicativos para realizar bicos e obter fonte de renda. De outro lado, o uso de aplicativos on-demand aparentemente forneceu demanda suficiente para que as pessoas pudessem obter renda por meio desses serviços. Assim, novas relações de trabalho criadas a partir da economia digital, tal como já era o caso do home office, ainda foram beneficiadas pela aprovação de uma reforma trabalhista no país.

 

Moda & Cultura 

Nas ruas pudemos ver lojas oferecendo cupcakes com o tema unicórnio; um novo canal do Youtube ficou marcado pelo fato da apresentadora utilizar um pijama de unicórnio, diversas pessoas começaram a tingir o cabelo com cores sobre esta temática, além das roupas fazerem referencia a este mesmo tema. Trata-se da moda unicórnio.

 

O ponto é que o unicórnio se tornou um termo para designar startups de capital privado avaliadas em um valor de mercado superior a USD 1 bilhão. Assim, a imagem do unicórnio passou a ser símbolo de sucesso e, por que não, realização de sonhos e aspirações, sendo que de tempos em tempos surgem manchetes reforçando o sucesso das startups que alcançam referido patamar de valorização. Esse tipo de manchete dá asas à imaginação, uma vez que grande parte dos fundadores das startups são os próprios millenials. Com o tempo, foram tantos os casos de unicórnios surgindo que o jargão derivou uma nova designação para as startups de capital privado avaliadas em mais de USD 10 bilhões, os decacórnios. A despeito disso, Todd Dagres cautelosamente avisa que “se você acorda em uma sala cheia de unicórnios, você está sonhando”.

 

Comportamento humano

Ao mesmo tempo em que as grandes tecnologias parecem alterar o futuro, as pequenas também fazem sua parte, inclusive na anatomia do ser humano.

 

O crescente uso do smartphone, principalmente em tarefas como o Whatsapp que demanda uma atenção constante e ininterrupta, fez com que as pessoas passassem a alterar sua postura física no cotidiano, levando a problemas posturais. Inclusive, estudos indicam que o uso dos smartphones alterou a forma como as pessoas andam.

Fonte: The Global Health News

 

Hábitos de consumo 

Restaurantes, bares e baladas passaram a competir com o Youtube e o Netflix pelo tempo livre das pessoas, uma vez que os millenials preferem ficar em casa a sair. Esses novos serviços e a produção das SmarTVs parecem ter auxiliado a recuperar o prestígio da televisão como o centro da casa, que antes havia sofrido com a inserção ou maior uso de smartphones, tablets e laptops.

 

Ao mesmo tempo, reflexo dessa reclusão millenial, os centros comerciais e shopping centers passaram a focar-se na experiência do usuário, oferecendo maior número de serviços ao invés de lojas de produtos. Produtos podem facilmente ser adquiridos via e-commerce, evitando a perda de tempo e estresse de ir a um local físico. Por conta disso, no cotidiano nota-se o surgimento das pop-up stores, ao invés de lojas fixas.

 

Da mesma maneira, a falta de tempo das pessoas no dia-a-dia fez com que serviços on-demand como iFood tivessem uma vasta clientela. A startup colombiana Rappi foi introduzida no mercado brasileiro e, rapidamente, as pessoas puderam notar os entregadores da empresa fazendo as compras no supermercado ou em lojas em nome de usuários que demandam produtos por meio do seu aplicativo. Apesar do crescimento do delivery de comidas, preocupados com a saúde, outros clientes passaram a demandar refeições saudáveis – e, assim, diversos negócios de nicho focados nesse setor se fortaleceram e consolidaram, como por exemplo, a Mundo Verde.

 

Educação 

O setor educacional passou a oferecer cada vez mais conteúdos online ao longo dos anos. No entanto, apenas isso não era suficiente para trazer o público ao consumo de conteúdo educacional online. Em um mundo onde cada vez mais as pessoas se preocupam com o tempo disponível, valor investido e escala, o modelo parece fazer sentido. No entanto, a experiência do usuário e assertividade do conteúdo ainda são um problema. Por essa razão, no ano de 2017 surgiram iniciativas focadas no usuário por meio de ferramentas de machine learning e inteligência artificial. Um exemplo é o projeto desenvolvido pela escola de negócios St. Paul e a IBM para criar um tutor virtual que oferece conteúdo ao aluno conforme o seu histórico de consumo e necessidades.

 

Robôs e inteligência artificial

O ano foi marcado por um aspecto polêmico: a Arábia Saudita concedeu cidadania a um robô, sendo o primeiro no mundo a realizar este feito. Do outro lado, já existem pessoas casando e namorando bonecas, o que não torna tão estranho conceder cidadania a um objeto com inteligência artificial.

 

Ao mesmo tempo, já era possível comprar um robô aspirador em grandes varejistas; uma empresa de Wisconsin, EUA anunciou que pretende implantar microchips em seus funcionários e o Facebook resolveu desligar dois robôs pois estes passaram a desenvolver uma língua própria e se comunicar.

 

 Primeiros acontecimentos em 2018 

Traçado o cenário acima, é possível perceber que, logo no início de 2018, alguns fatos já demonstram a continuidade desse processo de mudança conduzido pela tecnologia:

 

Surgimento do primeiro unicórnio brasileiro 

2017 foi marcado pela consolidação do mercado de apps de mobilidade urbana no Brasil. A 99 recebeu investimento significativo da Didi Chuxing e, de outro lado, Easy Taxi e Cabify firmaram uma parceria para atuar na América Latina. Resultado disso, logo no início do ano de 2018 a mídia anunciou outra notícia: a Didi, uma das maiores empresas do mundo no segmento da mobilidade urbana, comprou a 99, criando assim o primeiro unicórnio brasileiro.

 

Novas regras dos Correios para mercadorias vendidas por meio do e-commerce 

Preocupados com as regras tributárias, os Correios passaram a exigir que a nota fiscal dos produtos vendidos via e-commerce seja afixada no exterior da mercadoria como condição para despacho da mercadoria, o que dificulta bastante a vida daqueles marketplaces focados em produtos usados. Diante dessa mudança, os Correios esclarecem que aqueles que estão isentos da emissão de nota fiscal devem preencher uma declaração de conteúdo. Assim, os e-commerces que já sofrem com a logística, passam a ter mais uma dificuldade a ser superada no ajuste da sua operação para atender à nova demanda.

 

GDPR – General Data Protection Regulation

As regras europeias sobre proteção e privacidade de dados devem entrar em vigor em maio de 2018. Assim, diversas empresas que lidam com dados de usuários devem se adaptar até lá. Isso não afeta apenas empresas europeias, já que aquelas empresas que atuam com seus pares europeus também deverão estar em compliance com as novas regras, motivo pelo qual alguns players brasileiros também passarão a ter que se organizar para cumprir com a diretiva europeia.

 

Criptomoedas

A Comissão de Valores Mobiliários proibiu fundos brasileiros de investirem em criptomoedas por meio de um comunicado emitido no início de janeiro. Trata-se de um desdobramento da discussão referente ao projeto de lei que pretendia banir o uso de criptomoedas no país. Pelo fato de não se enquadrarem como ativos financeiros, sob as normas da INCVM nº 555, os fundos estariam proibidos de adquirir as criptomoedas diretamente.

 

Ao mesmo tempo, a popularização do tema fez com que o Colégio Notarial do Brasil emitisse um comunicado informando que os cartórios não podem receber o pagamento de emolumentos por meio de criptomoedas.

 

Essa reação dos órgãos reguladores e outros órgãos públicos apenas demonstra que o uso de criptomoedas já não configura uma tendência, mas algo que está de fato ocorrendo. O fato da marca de roupas Reserva também ter anunciado que passou a aceitar bitcoins como forma de pagamento apenas demonstra que o ativo, outrora considerado apenas como um produto de investimento que levou as pessoas a consolidarem a criptomoeda como reserva de valor, está passando por testes para que adquira também a qualidade de meio de pagamento e unidade de conta.

 

Perspectivas para 2018

 

Necessidade de inovação

 

Apesar do crescimento do setor de tecnologia representar certo otimismo, áreas tradicionais tem sofrido sob diversos aspectos: profissionais estão infelizes com suas carreiras, o que resulta em alta rotatividade; a concorrência é cada vez maior, o que resulta na necessidade de investimentos em tecnologia; a informação está ao alcance de todos, de forma que o consumidor torna-se mais crítico; os preços necessitam ser mais competitivos com entrega de produtos ou serviços de qualidade maior, pois o consumidor consegue verificar avaliações ou realizar compras online de forma rápida.

 

Diante desse diagnóstico, as empresas tradicionais notaram que necessitam inovar de alguma maneira, caso contrário perdem a força de trabalho, perdem mercado e também a sua competitividade. Uma maneira relativamente simples que o mercado tradicional encontrou de se reinventar foi se aliar com as startups. Assim, além de alguma forma estar aliada à inovação, uma empresa tradicional passa a ter acesso a tecnologia e o lucro proveniente dessas empresas menores. Exatamente por essa razão o Bradesco iniciou a construção do Habitat, um espaço para que startups e empresas possam se conectar e desenvolver programas de corporate venture, ainda que o banco já tivesse seu próprio programa de captação de projetos de startups, o Inovabra.

 

Apesar disso, não basta que apenas um time da empresa esteja em contato com startups ou então que sejam realizados hackatons, programas de aceleração e mentoria se o aspecto da inovação não está enraizado na cultura da empresa. Por conta dessa falta de percepção, é possível notar que diversos programas de inovação que focam na cultura da empresa ainda não deslancharam como era previsto.

 

Já se pode notar os efeitos do perigo de não inovar. Grande parte das paleterias mexicanas já fecharam as portas. Apesar de ter sido uma febre principalmente por conta da sua regulamentação, o conceito dos food trucks também não se mantém com a mesma força de antes. Muitos dos negócios abertos são simples ou repetição do que já existe, com pouca inovação. Dessa maneira, os food trucks não roubaram o público dos restaurantes e tampouco possuem uma demanda muito grande. Empresas de entrega de comida acabam sendo uma opção tão boa quanto para as comidas simples, oferecendo inclusive preços mais baixos. Isso explica porque os food trucks passaram a se aglomerar em lugares específicos ou a funcionar mais em eventos, que realmente podem se beneficiar de restaurantes itinerantes. Assim, muitos trucks passaram a ser uma forma de promover experiências aos seus clientes, sendo uma extensão das marcas ou de seus locais físicos. Ao mesmo tempo, as tradicionais academias abriram espaço para os boxes de crossfit, que hoje dominaram o cenário de diversas cidades.

 

Novas relações de trabalho

Como se já não fosse suficiente o fortalecimento da gig-economy, agora a realidade da cooperação entre humanos e robôs parece cada vez mais evidente. É o caso, principalmente na advocacia, onde a jurimetria e a busca de informações por meio de bots já é uma realidade e ganhou força com o surgimento da AB2L no Brasil. As empresas, no geral, passarão a ter que adotar cada vez mais tecnologia para se manterem competitivas e, parte disso, inclui a utilização dos chamados “bots”. Empresas que possuem call centers passaram a integrar bots para responder aos chamados de seus clientes, departamentos que lidam com um volume grande de informações passaram a utilizar bots para auxiliar na busca de informações (como os crawlers) ou para auxiliar na compra e venda de ativos financeiros. Já se fala em um processo denominado “automação do colarinho branco” por conta dos avanços tecnológicos nas funções ocupadas por empregados das principais empresas, ao invés da tradicional discussão da mecanização do campo. Assim, houve uma mudança das funções ocupadas pelas pessoas em diversos cargos, o que acaba por gerar a necessidade de redefinição de metas, novas formas de avaliação de produtividade, dentre outros, por parte das equipes de recursos humanos e altos executivos.

 

Ocorre que os empregados, gerentes e executivos nunca foram treinados para um momento como este – muitas vezes desconhecem o potencial da tecnologia e tampouco sabem lidar com a inserção dela no mundo dos negócios. De outro lado, existe uma horda de recém-formados e estudantes que não foram preparados para este momento, sendo inseridos no mercado com um conhecimento parcialmente obsoleto e sem orientação sobre como prosseguir. Resultado disso é o desemprego de boa parte dos recém-formados que não possuem os requisitos técnicos para preencher as novas vagas de emprego, o que leva a uma geração perdida, já que estes dificilmente conseguirão adquirir a experiência necessária com estágios ou com experiências profissionais iniciais que auxiliem na sua formação e garantam sua empregabilidade num futuro um pouco mais otimista.

 

Necessidade informacional

A Lei de Moore, criada em 1965, já previa que a capacidade computacional dobra a cada 18 meses, de forma que as inovações trazidas pela tecnologia passam a ser entendidas como exponenciais. Assim, as mudanças tecnológicas e a inovação passam a ser realidades cada vez mais frequentes no dia-a-dia das pessoas tornando necessária a sua adaptação e capacitação para lidar com todas as novas informações. A partir de agora, a velocidade com que as inovações computacionais surgem é cada vez maior, tornando mais difícil que as pessoas se mantenham atualizadas.

 

Mudanças culturais e nas relações interpessoais

Pense que no período compreendido entre a década de 90 e a atualidade, os nerds e sua cultura atípica passaram de ser julgados como bizarros e atípicos para ocupar a posição de aspiração e padrão atual. Isso pode ser verificado nas longas filas criadas pela Apple com o lançamento de um novo iPhone, pelo fato de muitos utilizarem um iWatch, os grandes sucessos da Marvel e DC Comics no cinema, uma grande parte do público ter aderido ao torrent há alguns anos ou pelo próprio fato de muitos terem voltado sua carreira para as startups. Por conta dessa transição que levou ao crescimento dos negócios digitais, Yuval Harari já alertou que a ética da sociedade também está passando por uma atualização. Isso já pode ser percebido no cotidiano das pessoas, ainda que não seja tão óbvio. Na década de 1980, as empresas mais valiosas do mundo eram ligadas basicamente à indústria do petróleo e automobilismo. Na atualidade, dentre as cinco empresas mais valiosas do mundo, apenas uma se destaca por ser de um segmento tradicional.

 

Basicamente, as máquinas funcionam a partir de dados. Por isso, em uma cultura focada no aspecto digital, a informação e transparência passam a ser essenciais. Assim, a transparência passa a ser exigida tanto das pessoas quanto das organizações. Apenas numa sociedade como esta, a relativamente recente edição da Lei de Informação no Brasil (Lei nº 12.527/11), o crescimento de um sistema distribuído de informações denominado de blockchain e o crescente movimento de criar conteúdos open source se tornam possíveis. Neste tipo de sociedade, de acordo com Yuval Harari, passam a ser valorizadas aquelas empresas e pessoas que favorecem o fluxo de dados. Não à toa, as blogueiras, perfis de Instagram e outros produtores de conteúdo online passaram a ser adorados pelo mundo – eles fornecem informações o tempo todo. Whinderson Nunes hoje é uma das principais celebridades do país e foi lançado pela plataforma Youtube. Além da estrela brasileira, a Selena Gomez angariou o maior público de seguidores no Instagram sendo catapultada para um novo patamar de fama. Por outro lado, utilizar a tecnologia para criar “dados falsos” sobre essas estatísticas passa a ser questionada, como ocorreu no caso da Anitta, julgada por táticas utilizadas por seus fãs para impulsionar o número de likes de seu material. Por conta dessa importância alcançada pelas redes sociais e a cultura web, no âmbito do relacionamento interpessoal, não participar de redes sociais ou não ter uma vida digital ativa passa a ser visto com maus olhos, podendo inclusive levar à interpretação de que um indivíduo pode ser considerado um potencial psicopata por conta disso. O fato de não participar de redes sociais leva a crer que uma pessoa tem algo a esconder. Lembre-se, esse tipo de julgamento não era relevante até alguns anos atrás, sequer poderia ser esperado, mas hoje é regra na sociedade digital.

 

Não é só no mundo dos negócios que essa transformação ocorre. Já foi mencionada a mudança no consumo de produtos, moda e conteúdo anteriormente neste texto. O filme “The Circle”, a série “Black Mirror”e o novo clipe “Filthy” do Justin Timberlake são exemplos que demonstram como a cultura pop já está adotando as novidades tecnológicas e passando isso adiante para a sociedade. Diferentemente da década de 80, em que um filme como “Robocop” podia ser classificado como Sci-Fi, os exemplos anteriores se referem ao cotidiano de uma pessoa que vive na sociedade atual.

 

Proteção e privacidade de dados

Por outro lado, em um mundo onde dados são cada vez mais importantes e públicos, a sociedade está mais vulnerável. Se os dados são as base dos novos negócios, muitas pessoas passam a buscar proteger sua privacidade e, de outro lado, as empresas são obrigadas a adotar mecanismos de segurança para assegurar a privacidade de seus clientes em virtude das normas que passaram a regulamentar este tipo de atividade. No ano anterior verificamos o surgimento de inúmeros ataques do tipo ransomware – Bad Rabbit, WannaCry e Expetr. Por essa razão, é provável o crescimento de produtos e serviços focados neste “mercado do medo”, normas que visam a prevenção desses problemas (por via direta ou indireta) e, ainda, podemos esperar que novos ataques sejam iminentes.

 

Como se observa, o reforço de tendências ou fatos ocorridos em anos anteriores é inevitável. No entanto, o surgimento de novas tecnologias, hábitos e negócios em 2017 solidificou o que foi construído no ano anterior e preparou o caminho para o crescimento das novas tecnologias em 2018. A única certeza é a de que para conseguirem permanecer competitivos nesta nova sociedade, os indivíduos e empresas necessitam se manter atentos às inovações e tecnologias que serão apresentadas até o final de 2018 e sab

 

Equipe Molina Advogados

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